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Ser Feliz

Ser Feliz

05
Mar18

Choro da Vida

Carla Lopes Gomes

É irónico... os tempos evoluem, pensamos nós. Evoluímos na ciência, evoluímos na tecnologia, evoluímos em termos de formação académica. Hoje a percentagem de pessoas, sobretudo mulheres, que ingressam no ensino superior é substancialmente superior ao que se verificava no séc. XX, que não teminou assim há tanto tempo. Hoje vemos as mulheres a ingressar no mercado de trabalho e já estranhamos o facto de uma mulher nos apresentar como profissão ser doméstica, ser mãe a tempo inteiro, dedicar-se à família. Os tempos mudaram, as mentalidades também. Tudo isto fruto de lutas que se iniciaram com os nossos antepassados e persistem até aos nossos dias: a luta pelos direitos humanos, a luta pelo direito de voto, a luta pela liberdade de expressão, a luta contra a exploração infantil, a luta a favor da igualdade de direitos da mulher, etc. De facto, percorrendo apenas os últimos 100 anos encontramos muitas melhorias que foram implementadas na nossa cultura, nas nossas gentes... contudo, ainda há tanto por construir, tantas barreiras por derrubar para se elevar novas construções.

Encontrei hoje no meu baú de memórias um poema escrito por mim em 2000, tinha eu apenas 13 anos. Verifiquei que se encontra tão atual como na altura em que o escrevi. Porque hoje ao lê-lo vejo as crianças na Síria, no meio da guerra. E continuo a questionar-me... será que globalmente evoluímos assim tanto? Ou evoluímos tão pouco? Como é possível que o mundo continue a experienciar episódios tão desumanos que apenas evoluíram nas armas utilizadas?

 

 

Choro da Vida

 

O dia belo estava,

Lá no alto o Sol brilhava

Um pássaro voava

E eu no meu canto pensava.

 

Pensava no Sol

Pensava na Lua

Pensava no Mundo

Nos meninos de rua.

 

Olhava o céu

E este escondia

A tristeza de um lado

E do outro a alegria.

 

A tristeza de uns

A alegria de outros

Problemas comuns

Atingindo quase todos.

 

Então no meu canto

Eu refletia…

Porquê tanta tristeza

E tão pouca alegria?

 

Porquê tanta injustiça,

Tanta guerra e pouca paz?

Porquê tanta cobiça,

O que isso nos traz?

 

Porquê tanto ódio,

Tanta raiva e rancor?

Porquê…? Num Mundo tão belo

Onde poderia haver amor?!

 

Vejo um rosto de criança

Chorando de sofrimento

Memória, lembrança

Presente no meu pensamento.

 

Por que chora de tristeza

E não de alegria?

Por que não vejo no rosto

Sorriso e harmonia?

 

Porquê o seu olhar

É uma flor que murchou?

Uma gota de mar

Que com a dor secou?

 

Que mal fez ela ao mundo?

Se apenas nasceu!

Vejo no seu olhar profundo

Que ainda nada viveu.

 

Criança que deveria ser

Símbolo de harmonia,

Energia diária,

Risos todo o dia.

 

Criança que é

O espelho da inocência,

Será que é difícil dar

Carinho e paciência?

 

Para quê destruir o Mundo

Qual a recompensa?

De que adianta isto tudo,

Qual a tença?

 

Num Mundo tão belo

Repleto do melhor,

Para quê reduzi-lo

Ao que há de pior?

 

Mundo com Luz

Com um sol brilhante,

Quem o reduz

E o torna arrepiante?

 

Quem não vê?

Quem não observa?

Os seus jardins

Tapetes de relva

As suas flores

Bem floridas

As suas cores

Bem coloridas

As suas nuvens

Bem vistosas

As suas árvores

Bem harmoniosas.

 

Os pássaros voadores

Perseguidos pelo vento

Cantando suas emoções

Enovando o pensamento.

 

As flores dançando

O mar ajudando à festa

As nuvens libertando

Pingos que refresca.

 

Choram, choram, choram

Não param de chorar

Quem chorasse como elas

Choro de alegrar.

 

Choro, choro esse

Que também quero ter

É um choro verdadeiro

Choro de quem sabe viver.

 

Não é choro de angústia

Ou choro de infelicidade

É um chorar diferente

Um choro de verdade.

 

Será que és tu…?

Ou será que sou eu…?

Quem não respeita o Mundo?

Ele não é meu nem teu!

 

O Mundo é nosso,

É de nós todos

Mas como eu posso

Dar-lhe tantos desgostos?

 

O Mundo deveria ser

Apenas de quem o respeita

Assim iria ter

Menos qualquer coisa desfeita.

 

Quem chora de alegria?

Quem já chorou de felicidade?

Quem sabe viver a vida,

Quem abandona a vaidade.

 

Por isso vou lutar

Por uma vida florida

Para que também possa chorar

Esse choro da vida.

 

 

                                                 

                                                Carla Lopes, 03/2000

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